Músicos já se apresentaram de Norte a Sul do Brasil participando dos principais programas de rádio e televisão e fizeram turnês para diversos países da Europa, América do Sul e do Norte

Trio Juazeiro formado por Ligeirinho (zabumba), Mocotó (triângulo) e Guilherme (sanfona) é um dos mais emblemáticos do forró pé de serra. Juntos há cerca de 50 anos é ícone de união e trabalho em equipe por conseguirem manter a formação original de respeito tanto tempo. Donos dos hits “Tem quem reze por mim’, ‘Forró de Mangalô’ e ‘Menina treme treme’ arrastam gerações de forrozeiros que não abrem mão dos clássicos e do estilo autêntico do forró do Nordeste. Nesta edição em que o Nata celebra os grandes mestres, o trio não poderia ficar de fora.

Orgulhosamente Mocotó conta que ele e os amigos fazem parte da história do Nata Forrozeira ao participar de todas as edições. “Para nós é sempre uma energia nova. Tem o público de sempre, que sabe as músicas, mas também gente diferente, pessoas que vão e se apaixonam pelo ritmo. A responsabilidade é grande”. Ligeirinho complementa que “a cada ano o festival fica melhor. Agora com a direção do Estéfano Bespalec Júnior deve ficar ainda mais especial”.
Animados os três amigos contaram que na 10ª edição fizeram o show de encerramento na piscina e foi uma das cenas mais marcantes do festival. “Por mais que tenhamos todo esse tempo de estrada, sempre sentimos a pressão de tocar para um público como o do Nata. A energia é diferente, é única, não tem nada igual. É muito especial”, reforça o sanfoneiro Guilherme, que mantém a tradição e toca com a mesma sanfona esses anos todos. A “vermelhinha”, como é carinhosamente chamada por ele e conhecida dos fãs, o acompanha desde o início da carreira. Poucas vezes em que precisou trocar, devido a manutenções do instrumento, os fãs questionaram se Guilherme havia abandonado a velha parceira, tamanha identificação com a sanfona famosa.

Meio século

A história do Trio Juazeiro começou em 1962, já em São Paulo, quando Ligeirinho (Jaldi Pereira da Silva), nascido em Santa Luz/BA, conheceu Guilherme dos Santos, também baiano, de Euclides da Cunha. Guilherme vem de uma família de músicos, na qual seu pai tocava sanfona de oito baixos. Seu primeiro instrumento foi o cavaquinho, mas passou logo para o pé de bode e finalmente para a sanfona. Aos 16 anos, em busca de oportunidades na música, migrou para São Paulo.

Ligeirinho já tinha trabalhado em várias funções em padarias, tecelagens, fábricas até tornar-se relações públicas do salão do Zé Béttio e onde também atuava como músico do Regional. Com o convite do Ligeirinho, Guilherme juntou-se ao Regional que acompanhava os artistas. Formou-se então o Trio Cajazeira, com Ligeirinho, Guilherme e Cajazeira.

Anos depois conheceram Mocotó (José Petrúcio da Silva), nascido em Rio Largo/AL, cantava embolada nas feiras, quando criança, e era amigo de Mestre Zinho que lheu deu o apelido. Depois se mudou para São Paulo com um trio chamado ‘Os Cobras do Norte’, pouco tempo depois o trio se desfez e Mocotó passou a cantar no forró do Pedro Sertanejo.

Com o falecimento de Cajazeira, Ligeirinho e Guilherme convidaram Mocotó para formar um trio. Em seguida, ao serem contratados pela RCA para sua primeira gravação, escolheram o nome Trio Juazeiro.

A primeira gravação do trio aconteceu dez anos depois da sua formação, numa coletânea da RCA Camen, em 1976, chamada ‘Uma noite no forró’, produzida por Mario Zan. Duas faixas gravadas pelo trio foram muito executadas nas rádios: ‘Vou de Tutano’ e ‘Severina Xique Xique’.

Gravaram seis LPs durante as décadas de 1970 e 1990: ‘No balanço do forró’, em seguida ‘Vamos vadiar’, ‘Orgulho de nordestino’, ‘Pedaço de fulô’, ‘No balanço da fogueira’, ‘A volta do Trio Juazeiro’, todos em formato vinil, além de diversas coletâneas.

Apresentaram-se de Norte a Sul do Brasil participando dos principais programas de rádio e televisão e fizeram turnês para diversos países da Europa, América do Sul e do Norte.

Após 20 anos sem gravar, o Trio Juazeiro, lançou trabalho novo em 2014, ‘Rede Balançando’. O disco composto por músicas inéditas e regravações contou com participações de Genival Lacerda, Edson Duarte, Aluízio Cruz (Trio Sabiá), Danilo Ramalho (Trio Dona Zefa) e Janaína Pereira (Bicho de Pé).

Há um ano, o trio ganhou o reforço do cavaquinista Anderson Anjos, que fez sua estreia no Forró dos Sonhos de 2018, que foi carinhosamente recebido pela legião de forrozeiros fãs do Trio Juazeiro.

Serviço:

Festival Nata Forrozeira 2019

Data: de 18 a 21 de abril

Local: Espaço Ville Sport Shows

Endereço: Estrada Rosemary Hidalgo dos Santos, 81, Refúgio dos Bandeirantes, Santana de Parnaíba/SP.

www.nataforrozeira.com.br

Informações: (11) 9.6447-5599